quarta-feira, 22 de julho de 2015



O CANTO DA COTOVIA

Tão doce
Tão suave
O canto da cotovia
Minha’alma ascendia
Buscava o canto da cotovia
Linda, linda sinfonia

sonia delsin


EQUIVOCADA

Vivi por anos e anos
equivocada
Me julgando amada
Pensava:
Encontrei minha alma gêmea
Que alma gêmea! Que nada!
Sempre é tempo de acordar
Acordei
De um sono tão longo e tão penoso despertei
Outro caminho encontrei
Daqueles anos já nem sei
Acho que apaguei

sonia delsin


O QUE EU FARIA?

Sem tuas mãos nas noites frias
... o que eu faria?
Sem tua voz no meu ouvido...
Sem teus lábios escorregando na minha pele macia
O que eu faria?
Enlouqueceria
de dor
de nostalgia
Ou esqueceria?
Apagaria?
Minha vida sem ti recomeçaria?
Sempre é tempo de recomeçar
Noutra estrada caminhar
Sempre é tempo de recomeçar

sonia delsin


GOSTO

Tenho na boca um gosto
Que sabor!
É canela
É mel
É agridoce o gosto que eu gosto
É ardidinho
É um sabor que está guardadinho
...
Nas minhas lembranças
Faz parte da infância
Da juventude

É um sabor plenitude

sonia delsin


PRA CONTAR DAS ROSAS

Eram lindas
(e quase sempre roubadas)
Deus! Como eram amadas!
Eu as beijava antes de colocar no vaso
E quando murchavam não iam simplesmente pra lixeira
As pétalas eram retiradas
Ficavam guardadas
Entre os livros
Era um ritual
Havia naquelas rosas segredos
Havia uma mágica que as envolvia
Eram pura poesia
Um dia
Um dia eu contaria


sonia delsin


QUERIA...

Queria um beijo
Não corpos sedentos
Desejo
Um beijo
Terno
Doce
Com aquele gostinho dos primeiros tempos...


sonia delsin


DESABAFO DE UM POETA

Desfizeste os laços
“sete passos”
Para o abismo tu seguiste
Dedo em riste
Acusando o mundo de tuas culpas
Negando o Universo
Desfazendo do meu verso
Poetas?
Sonhadores, voadores...
E eu?
E eu?
Eu sonhando, eu voando
Eu compondo minhas melodias
Enfeitando meus dias
Assim seguimos
O poeta sonhador que sou pisando leve na terra
Tu convivendo com tua guerra
Com teu eu egocêntrico a imaginar-se numa órbita que inexiste
Ó, não fique triste!
Haverá outro tempo
Outra oportunidade
Encontrarás ainda a verdade
Cedo ou tarde?
Não importa
O que importa é que o mundo começa depois daquela porta

sonia delsin 


PASSAGEIROS

Somos passageiros
Pássaros da eternidade
...
Num voo ousado
volto ao passado
...
Retorno ao presente
Me sinto ausente
...
Vou ao futuro
...
Vou e volto
...
Voo


sonia delsin


DIZÍAMOS

Dizias:
Lá na frente
Eu dizia:
Antigamente
Está no antigamente
Dizíamos
e dizíamos
Estávamos
no tempo errado
Não vivíamos o presente

sonia delsin 


TALVEZ

Talvez eu nunca mais volte
Talvez eu nunca mais solte
plumas ao vento
Talvez nunca mais este pensamento
Ó, tormento!


sonia delsin


CATIVA DO VENTO

O vento me conquista
Me prende
Redes invisíveis
Momentos tão sensíveis de meu viver
Sou cativa do vento
Sou pensamento
Voo
Viajo
Vou
Ao lugar de sonho que existe no mais íntimo de mim


sonia delsin


FLORES AO AMANHECER

Amanheci a pensar
Nas flores
Nas dores
Nas flores
Há esperança
Não morre em mim a criança
...
Sempre novo o dia que chega

Sempre flores ao amanhecer

sonia delsin 


A ORDEM... DAS COISAS

gosto de poetar
gosto de fotografar...
de crochetar...
amo amar
...
o tempo costuma esperar
...
para colocar
...
tudo em seu lugar


sonia delsin

SOB AS CATARATAS

Meu olhar se prendia àquelas águas
Ao arco-íris que se formava
Meu olhar se prendia àquela beleza
Encantadora natureza
E o som?
Aquele som tão bom de ouvir
Jamais me esquecerei em todo meu existir
As Cataratas do Iguaçu, a sétima maravilha do mundo
As andorinhas
Eram tantas e faziam malabarismos
Voando e revoando
Fiquei deslumbrada diante de tanto esplendor
Pensei no Criador
Em sua obra de amor

Sentia vontade de me ajoelhar e rezar, mas fiquei simplesmente a olhar...

sonia delsin

quarta-feira, 1 de julho de 2015


QUERO-TE SORRINDO

Teu riso... ele reabastece minha alma
Amo teu rosto sorridente
Sorrias sempre daqui pra frente

sonia delsin




UM PEDAÇO DO MEU CORAÇÃO

você chegava,
filho amado,
de joelho ralado
chorava a mais não poder
e eu tentando lhe agradar
promessas fazia
então no seu rosto um sorriso aparecia
por entre as lágrimas
...
logo já estava brincando de novo
se ralando de novo
porque era este o seu jeito de ser
eu pensava:
vai crescer
vai aprender
e aprendeu
tanta coisa aprendeu

dos joelhos ralados será que se esqueceu?

sonia delsin


NÃO TE VÁS...

Ias
E ela dizia:
Não te vás
Ias
Sabias
Do caminho de pedras que percorrias
Das iguarias
Das mesquinharias
Das ninharias
Das manias
Ias

sonia delsin 


CORAÇÃO DE GELO

Quisera que a manhã não se estendesse
Que o sol jamais se aquecesse
(era uma fresca manhã aquela)
Quisera que o orvalho não derretesse
E que teu olhar, para a beira do lago,
descesse
Quisera
Quisera que os cantos matutino dos pássaros se eternizasse
Que minha voz se calasse
Chamar-te?
Chegar até ti?
Por que razão?!
Se tu não tens coração...

sonia delsin


ANSEIAS

Teus olhos contam
Anseias
Mas calas
Por que falar?
Esqueces que tudo está a contar
Principalmente teu olhar
Nele há esperança
e desejo

sonia delsin


DESGASTE NATURAL

Foram as palavras...
Os silêncios...
As ausências...
As impaciências...
As incompreensões...
Foram os senões...
Acabou-se o que era doce...

Ficou o vazio

sonia delsin


TEU NOME

teu nome some
nas brumas do tempo?
teu nome está escrito
no infinito
faz parte de mim, dos meus sonhos
teu nome traz flores aos meus jardins
e borboletas
e colibris
traz o sol
a lua e as estrelas
teu nome é luz
é esplendor

teu nome é amor

sonia delsin 




SEM DEUS

Sem Deus o que eu seria?
Sentiria alegria?
Sem Deus eu até poderia ter companhia
Mas não me satisfaria

sonia delsin


COMO É BOM VIVER!

Escancaro portas e janelas
Deixo o sol entrar
Deixo a vida vibrar
Deixo que ela vá ao porão
Até o mais fundo do meu coração
E estendo a mão
Acato ao que me chega em abundância
Luz e pérolas
Fecho os olhos
Deixo que a luz me banhe inteira
Deixo que as pérolas enfeitem meu corpo
Sinto a vida vibrando
Vou crescendo, crescendo
Com o infinito vou me identificando
A energia me renova, me transporta
Ao meu lugar de origem
Voo
Nem sinto vertigem
Cheguei
Pertenço a este lugar
Mas não posso ficar
Então eu volto
A Terra ainda é meu lugar
Nela eu amo morar

sonia delsin


SER O QUE SOMOS

Como é bom ser o que sou!
...
Como é bom não se questionar tanto:
Por que eu vim?
Que estou fazendo neste planeta?
Não é muito melhor vivenciar?
Viver? Experimentar?
O doce sabor da vida
Se bem que tantas vezes ela fica ardida
Dura de engolir
Tantas vezes até pensamos:
Seria melhor eu partir
Mas do outro lado...
Lá a vida vai continuar...

sonia delsin


SEI ME CUIDAR

Sei cuidar de mim
Era assim que eu dizia
Lógico
Eu vivia de poesia
Era toda a minha alegria
E ele não sabia
Não sabia que seria ela que me salvaria
Do abismo
Do nada
Ela viria acompanhada
De Deus
De Deus que ama o que eu escrevo
De Deus que me ama pelo ser que estou sendo
Vivo assim
Grande parte de minha vida escrevendo


 sonia delsin


NAQUELES DIAS TÃO FRIOS...

naqueles dias tão frios eu me perdia
em meus vazios
ia pela ruas desnorteada
o vento fazendo festa em meus cabelos e o cachecol se balançando
eu ia andando
como quem vai a nenhum lugar
sentava-me por vezes em praças e me punha a chorar
foi assim...
até Deus eu encontrar

ele veio minha vida mudar

sonia delsin 


O TEMPO DAS PALAVRAS

Tu calado
E eu em meu canto calada
Plena madrugada
Silenciamos há tantos anos
Sempre me pergunto o que foi feito daquele tempo de palavras...

sonia delsin


TEU SORRISO...

Teu sorriso plainava sobre as águas do lago
Teu sorriso brincava de esconde-esconde entre as páginas do livro
Teu sorriso crescia e decrescia à medida que passavam os anos
Porém resistia
Era delírio
Fantasia
O que teu sorriso fazia!
Aos dias atuais, o passado ele me trazia
Se eu sofria?
Ao lembrar-me dele quase morria
Mas queria, mas queria

Então ele existia

sonia delsin  


DESFEITA

Te ofereci minha boca
Me disseste: és uma louca
Quis te dar meu sorriso
E perguntaste:
Pra que isso?
Quis te oferecer meu olhar
Mas conseguiste me evitar
Ofereci meu amar
Me disseste: não é possível
Num mundo de possibilidades apenas o impossível enxergaste
Minha oferta não aceitaste


sonia delsin


DESPEDIDA

Tenho uma voz que me morre na garganta
Saudade tanta
Eu te vi ir
Seguir
Partir
Eu te vi se afastando
O sol morrendo
As flores fenecendo
E minha voz foi diminuindo,
sumindo
Não tive forças para um adeus te dizer
Fiquei a sofrer
A ver o sonho mais dourado desvanecer

sonia delsin


CHUVA... LÁGRIMAS

Dias idos
Chuvosos
Tristes
Lágrimas no rosto
Ar de desgosto
Solidão
...
Superação
Chorar não era a solução

sonia delsin


HORA DA SAUDADE

O badalar dos sinos me distancia daqui
Me leva para tão distante
No tempo, no espaço
Vou a vidas que desconheço,
Que reconheço
Ai, como padeço!
Sempre e sempre é tempo de recomeçar
Sempre
E as saudades morando em nós
Saudades incompreendidas
E tão sentidas


sonia delsin


UM SER

Um ser que sorri para o espelho
Que quase atravessa paredes
Que se deita nas redes
Preguiçosas redes beira-mar
Que ama o rebuliço e a calmaria
Que adora poesia
...
Onde andaria? Onde andaria?
...
Talvez nas grutas secretas
Talvez nas ruas prediletas
Sob o luar
Um ser que vive a conjugar um verbo
O verbo amar
Um ser que se identifica com a vida
Que não teme a lida
E segue o rastro das estrelas...
Um ser que abrigo no peito, no mais recôndito de mim

Que ama o jardim

sonia delsin


OUTRA DIMENSÃO

Dei um salto
Fui tão alto
Eu pulei do outro lado

Eu que vivia questionando:
Como seria?
Deus, que alegria!


Tanta que não cabe numa poesia

sonia delsin


BALANÇOS

Minhas tranças balançavam
O balanço
Cantávamos
Subíamos
Descíamos
Minhas tranças desmanchavam
Os laços caíam
Sorriamos
Tempos passados
Fatos guardados
Balanços na árvore frondosa
Infância maravilhosa

sonia delsin


CAMINHO

Se tivéssemos ouvido
Se tivéssemos...
Nada aconteceria?
O caminho era aquele
Era
E aconteceram fatos
para nos fazer crescer
Sempre e sempre aprender
Viemos aqui para desenvolver
Muitas vezes pensamos:
E se eu tivesse desviado?
E se eu não tivesse errado?
Aprenderíamos?


sonia delsin



TEMENDO O VENTO

Não reclames rosa, dos ventos
Eles lhe causam sofrimentos?
Mas vieram te acariciar
Ah! Os ventos... eles costumam exagerar!
Eles te despetalam
Mas eles falam:
És linda rosa! És linda...
Ah! Os ventos!
Que seria do jardim sem os ventos?
Imobilidade absoluta
Os galhos gostam dos movimentos
Se bem que a rosa fica temerosa...
A rosa teme... o vento

sonia delsin